quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Planos furados?

Deu tudo errado quanto à visita da minha irmã e do meu cunhado aqui em Genebra. Simplesmente não rolou.

Primeiro, o voo deles dos EUA a Londres foi cancelado por causa da "neve torrencial" na Inglaterra.

(Calcula-se que tenha nevado uns dois centímetros, o que foi suficiente para os londrinos surtarem e os aeroportos ficarem fechados por dias. Fiasco pouco, eu diria.)

Acabou que só conseguiram chegar a Londres com um dia de atraso e sair de lá um dia depois – direto para a Alemanha. O tempo antes do Natal era tão curto que ir a Genebra não valia mais a pena.

A aventura deles é uma historia à parte. Sem outra possibilidade de passar para o lado de cá do Canal de Mancha, devido ao colapso aéreo e ferroviário causado pela "forte nevasca" de 1,96cm na Inglaterra, eles alugaram um carro!

Carro inglês, com direção no lado direito. Travessia de balsa ate a França. (Parece até coisa d'A volta ao mundo em 80 dias, de Jules Verne, que eu li em outubro-novembro!) Trânsito na Holanda e na Bélgica com pneus de verão, porque a locadora londrina nunca tinha ouvido falar de pneus para dirigir na neve; chegou a sugerir que andassem  na autoestrada com as correntes para neve nos pneus(definição de livro-texto de "ideia de girico"). Pra finalizar: o GPS, alugado com "pacote europeu", só tinha mapas das ilhas britânicas...

Até agora não entendo como chegaram à Alemanha – e ainda a tempo do Natal. Só por milagre, mesmo! Pena que não puderam vir a Genebra, mas…

Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos. (Provérbios 16.9)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Contatos de segundo grau

Visitei hoje um escritorio de advocacia a convite do sócio-gerente, com quem tinha entrado em contato em virtude de um evento de arbitragem internacional. Não: não foi uma entrevista de emprego.

Fui muito bem recebido. Primeiro que o advogado tem opiniões muito lúcidas sobre os problemas do regime internacional do investimento estrangeiro, que eu pesquiso todos os dias no trabalho.

Segundo que ele, além de ser supercool e ter na sua mesa fotos com o George Clooney e com os Obamas (as pessoas de verdade – não de museu de cera, como as que eu tenho), foi também supergentil, oferecendo dicas para minha busca de emprego e me apresentando outros três advogados do escritório.

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Uma das minhas fotos dos Obamas,
de quando os visitei na Casa Branca (aham…)

sábado, 18 de dezembro de 2010

No time de waterpolo

Sábados os ônibus de e para Troinex saem mais ou menos de hora em hora. Com vários planos para hoje, acordei às 7h. Uma hora depois, peguei o ônibus das 8h para o supermercado em Carouge. Uma hora depois, voltei pra casa no ônibus das 9h (mesmo motorista) pra deixar as compras.

As compras, aliás, eram extraordinariamente muitas, incluindo diversos tipos de queijo e de chocolate para oferecer uma degustação às visitas (mana Lu e cunha James chegando amanhã à tarde!), além de oito pacotes de mistura para fondue (tradição natalina da minha família).

Uma hora depois, peguei o ônibus das 10h para ir à piscina de Pervenches (e ao me ver pela terceira vez no mesmo dia o motorista teve que sorrir).

Determinado a nadar 2000 metros, entrei na piscina e fiquei surpreso com a ausência das divisórias de raias. Mas comecei a nadar. Alguns minutos depois, entrou um grupo de pré-adolescentes. E um homem mais velho me chamou à borda pra perguntar se eu estava com o time de waterpolo. "Hã?"

Acontece que a piscina estava fechada para o time (os pré-adôs)... Eu não fazia ideia! O homem então disse, "sem problemas: estamos a fulana e eu aqui fazendo treino de natação nestas duas raias de cá; se quiseres, podes ficar e nadar conosco, contanto que sigas a nossa série de exercicios." E eu topei, claro – porque assim eu cumpriria o plano de nadar 2000 metros e porque quem tá na chuva tem que se molhar e porque quem tá na piscina e já se molhou não quer sair e voltar pra casa tendo nadado apenas uns 200 metros.

No fim das contas, não só nadei os 2000 metros que tinha me determinado a nadar como também tive uma aula de natação grátis, com vários exercícios legais, dicas de técnica e convite para participar todos os sábados! E esse ficou sendo o dia em que eu quase – muito quase – entrei para um time de waterpolo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Café du Soleil, o retorno

Hoje foi a festa de Natal do IISD Genebra. Conversas descontraídas (não sobre trabalho, na maior parte do tempo!) e uma deliciosa fondue no tradicional Café du Soleil.

Curiosa coincidência e momento nostalgia: o restaurante tem exatamente o mesmo nome daquele onde a amiga Leslie e eu tivemos brunch no dia de Natal em 2009, em Nova Iorque.

Da coincidência quanto ao nome do restaurante eu logo me dei conta, mas olha só! Revendo o post do brunch no Café du Soleil de NYC, vi que pedi profiteroles de sobremesa… E não é que pedi profiteroles hoje também, no Café du Soleil de Genebra?!

sábado, 11 de dezembro de 2010

Fête de l’Escalade

Na madrugada de 11 para 12 de dezembro de 1602, a população da República de Genebra repeliu com sucesso um ataque surpresa das tropas do Duque de Savoie (França), que pretendia invadir e conquistar a cidade. Por isso, todo ano em meados de dezembro aqui se comemora a Fête de l'Escalade, a festa nacional de Genebra.

Conta a lenda que Mère Royaume, uma genebrense valerosa (como diria Camões), feriu diversos savoyards atirando sopa escaldante sobre eles do alto das muralhas da cidade. Hoje se relembra o episódio fictício com a "Marmite de l'Escalade": uma "panela" feita de chocolate e cheia de  marzipans e chocolates em forma de vegetais (os ingredientes da "sopa").

A tradição manda que, em um grupo (família, amigos, colegas), o integrante mais velho e o mais novo quebrem num só golpe a "marmite", depois de dizerem em coro, "ainsi périssent les ennemis de la République!" (algo como, "assim morrem os inimigos da República"). Eu, sendo o mais novo no escritório do IISD em Genebra, tive a honra de participar ativamente da solenidade!

Hoje, depois de patinarmos na pista de Carouge, minha amiga Noriko e eu fomos ao centro antigo de Genebra para participar (agora passivamente, como expectadores) das atividades do festival: marchas e outras demonstrações militares de soldados com vestimentas de época, alguns a cavalo; tiros de espingarda e canhão; e performances musicais: recital de trompetes na catedral e apresentação de canto coral no Auditorium Calvin. Algumas músicas eram de Advento, mas a maioria era comemorativa da Escalade.

Algumas fotos – depois tem mais texto!


Pista de patinação em Carouge


Gu na pista de patinação de Carouge


Trompetes na Catedral Saint-Pierre


Exercícios militares em frente à Catedral


Tiros de espingarda


Tiros de canhão

O coro, preciso dizer, não era lá tudo isso... Mas valeu a pena pelo aspecto folclórico, já que nem tanto pela qualidade musical. A última peça foi, claro, o "Cé qu’è lainô", hino nacional de Genebra, que conta a história da Escalade em 68 estrofes (muita calma nesta hora: normalmente só se cantam as estrofes 1, 2, 4, e 68).

“Cé qu’è lainô” é franco-provençal da época; em francês atual, “Celui qui est en haut”, ou em português: “Aquele que está nas alturas”. É um canto de louvor a Deus! A última estrofe diz (traduzo):

Em Suas mãos Ele detém a vitória,
nEle somente permanece a glória.
Para todo o sempre o Seu Santo Nome bendito seja,
amém, amém, assim seja!

E todos os genebrinos cantaram junto, em pé, de cor.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Genebra sobre a neve II

Depois da primeira nevadinha básica da temporada, veio o caos: com as tempestades dos últimos dias, hoje há 31 cm de neve acumulada no solo em Genebra, um recorde histórico para o mês de dezembro! Terça (dia 30/11), por causa dos atrasos e por fim por causa da interrupção dos serviços de transporte público, demorei mais de 2h 30min para chegar em casa, incluindo 30 minutos de caminhada sob a tempestade de neve. Ontem (dia 1/12), tive que trabalhar de casa, porque os ônibus a partir de Troinex estavam for a de circulação.


Vista do meu escritório, enquanto ainda havia pouca neve


Voltando pra casa no dia 30, no meio da tempestade


É preciso amar a neve


Ploc tentando achar pasto


Vista do pátio do prédio vizinho


Árvore na frente de casa


O antes, o depois e o mais tarde ainda